
Pêndula bateia na parede
Hoje morrendo de sede
Não passa de um enfeite banal
Já foi de seu dono, tempos dantes
Alvo de olhares delirantes
Tendo a sorte sua sócia imparcial
E a bateia nas mãos de seu dono
Bailava em seu próprio contorno
Num infinito e incansável ritual
O cascalho ciscado e lavado
Tantas vezes deixava apartados
Garimpeiro, esperança e ideal
E mais um dia se escoava
Com a dançarina bateia que bailava
Aos acordes da orquestra irreal
Apinhando a tantos, outro dia em vão
Desalentava-se ante impiedosa ilusão
Prevalecendo a fragilidade de mortal
Para na aurora seguinte, refeito
Rasgar outra vez outra vez o garimpo no peito
Numa ânsia indomável de se realizar
E quiçá..., como diz o destino que espreita
E fez feliz daquele que feita
Um teimoso garimpeiro chorar
Chorar de emoção extasiante
Exibindo na palma da mão enorme diamante
Para nunca mais garimpar
E hoje, varanda, espreguiçando na rede
Nem sequer observa na parede...
A bateia no prego, ao vento ainda bailar
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