
Pêndula bateia na parede
Hoje morrendo de sede
Não passa de um enfeite banal
Já foi de seu dono, tempos dantes
Alvo de olhares delirantes
Tendo a sorte sua sócia imparcial
E a bateia nas mãos de seu dono
Bailava em seu próprio contorno
Num infinito e incansável ritual
O cascalho ciscado e lavado
Tantas vezes deixava apartados
Garimpeiro, esperança e ideal
E mais um dia se escoava
Com a dançarina bateia que bailava
Aos acordes da orquestra irreal
Apinhando a tantos, outro dia em vão
Desalentava-se ante impiedosa ilusão
Prevalecendo a fragilidade de mortal
Para na aurora seguinte, refeito
Rasgar outra vez outra vez o garimpo no peito
Numa ânsia indomável de se realizar
E quiçá..., como diz o destino que espreita
E fez feliz daquele que feita
Um teimoso garimpeiro chorar
Chorar de emoção extasiante
Exibindo na palma da mão enorme diamante
Para nunca mais garimpar
E hoje, varanda, espreguiçando na rede
Nem sequer observa na parede...
A bateia no prego, ao vento ainda bailar
Arley Notoroberto - Todos os direitos reservados
5 comentários:
Lindo poema...
Parabéns!
Excelente poema, os versos, as rimas,
perfeito. Você consegue transmitir o que quer numa forma subjetiva, e ao mesmo tempo objetiva.
As vezes me arrisco escrevendo alguns poemas, mas nada tão profissional.
obs.:não dei calote comentei no anterior ao seu, porque o seu não apareceu.
Muito bom.
O jeito que você se expressa, as rimas, a mensagem parece simples mas voce as colocou em palavras harmoniosas que a transmitiu de maneira interessante.
http://youcanscream.blogspot.com/
Nossa, vc escreve muito bem e seu blog é bem interessante tanto quanto o de sua filha, vou comer a segui-lo, pois assim acompanho os poemas novos. Parabéns :D
és sem duvida alguma o melhor avô de toda a face da terra.
orgulho-me por saber que em minhas veias corre um pouco de teu sangue, e que em minha escrita pulsam um pouco de tuas palavras, e que em minhas musicas regozijam os teus dedilhados... e que em minha vida vivem as tuas lembranças.
Eu te Amo!
Mimi
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